quinta-feira, janeiro 22, 2026
HomeBrasilCursos de medicina com piores notas em exame do MEC cobram até...

Cursos de medicina com piores notas em exame do MEC cobram até R$ 17 mil de mensalidade

Enamed virou motivo de embate entre o governo federal e o setor, que tentou barrar a divulgação da avaliação

Mesmo com uma formação acadêmica considerada insatisfatória para os critérios do Ministério da Educação (MEC), cursos particulares de medicina no Brasil chegam a cobrar R$ 17 mil de mensalidade de seus estudantes.

Levantamento feito pela Folha de São Paulo mostra que quase todas as 87 instituições privadas de ensino que foram mal avaliadas no Enamed (Exame Nacional das Escolas Médicas) cobram mais de R$ 10 mil por mês dos alunos.

O novo exame do Ministério da Educação, realizado pelo Inep, tem como objetivo avaliar os cursos de medicina e punir aqueles que não conseguirem atingir um desempenho satisfatório.

O Enamed foi criado para calcular o percentual de estudantes de um curso que atingem um grau mínimo de proficiência nos assuntos da área.

Após a prova, cada curso recebeu uma nota que corresponde ao percentual de seus estudantes que conseguiram atingir um nível mínimo de proficiência nos assuntos apresentados: 1 para até 39,9%, 2 entre 40% e 59,9%, 3 de 60% a 74,9%, 4 entre 75% e 89,9% e 5 para igual ou maior que 90%.

O MEC considera como satisfatórios resultados a partir de 3 e aplica sanções às instituições que pontuaram abaixo.

Um total de 351 cursos de medicina foram avaliados pelo Enamed, dos quais 176 pertencem a instituições privadas. Praticamente metade deles (87) ficou abaixo da nota satisfatória, inclusive os quatro piores de toda a lista.

Folha levantou o valor da mensalidade cobrada em 2026 por 69 dessas graduações — as outras não responderam quanto cobram dos estudantes, não disponibilizam a informação ativamente ou não atenderam aos contatos da reportagem.

Apenas sete graduações são mais baratas que R$ 10.866, que é a mediana do custo de estudar medicina no Brasil, calculada pelo Hoper Educação para o ano de 2025, sem considerar bolsas, descontos, financiamentos ou promoções.

O percentual de proficiência mais baixo do Enamed (15,4%) ficou com a Estácio do Pantanal (Mato Grosso). O segundo (21,3%) ficou com outro curso do mesmo grupo, o do campus de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Segundo informações dos próprios sites, as graduações têm mensalidades de, respectivamente, R$ 13.373,80 e R$ 12.771,15.

“Essa primeira edição do Enamed revelou tantos pontos de fragilidade que, no nosso entendimento, não refletem a realidade do ensino oferecido”, afirmou a Estácio.

Além desses dois, o grupo tem outros cinco cursos entre os classificados como insatisfatórios pelo MEC.

A Estácio argumenta que “não há como tirarmos conclusões ou análises sobre qualidade efetiva a partir do Enamed”.

Preços podem subir ao longo do curso

No geral, a grande maioria dos cursos com as notas 1 e 2 no Enamed cobra uma mensalidade entre R$ 11 mil e R$ 15 mil.

A Universidade Brasil, em Fernandópolis (SP), custa R$ 11,2 mil pelos primeiros quatro semestres do estudante que ingressar em 2026.

Porém, esse valor chega a R$ 17,3 mil para os últimos quatro semestres do curso de medicina, podendo cair para R$ 13,9 mil em caso de pagamento antecipado. O curso recebeu nota 1, com 35,9% de proficiência.

Procurada, a instituição não respondeu.

Já a Fametro, de Manaus, cobra uma mensalidade base de R$ 10,9 mil para o curso de medicina. Mas a primeira parcela, para o estudante que entrou na graduação neste ano, é de R$ 20,9 mil.

A nota da graduação também foi 1 (38,9% de proficiência), e a entidade não respondeu aos questionamentos da reportagem.

A outra instituição que cobra acima de R$ 15 mil é a Afya do Rio de Janeiro, que prevê pagamento de R$ 15,8 mil dos estudantes. O curso recebeu nota 2, mas com 56,2% de proficiência, o que o coloca na faixa de punições mais leves (apenas proibição de ampliar vagas) por estar próximo da nota 3.

O grupo, o maior do país neste setor, afirmou que o Enamed “não pode ser interpretado isoladamente”.

A Afya justificou o valor cobrado em razão de ter, entre outras coisas, seis centros de simulação, e ter sido responsável por 3.000 publicações internacionais em 2024 e 3 milhões de atendimentos gratuítos desde 2019, em parceria com o SUS (Sistema Único de Saúde).

Nota baixa pode levar a punições do MEC; associação aciona Justiça

Pelos resultados do Enamed, os 99 cursos no Brasil que não alcançaram a nota mínima (o que inclui os da rede privada) ficam sujeitos a punições do Ministério da Educação, como suspensão do Fies e redução de vagas.

O teste virou motivo de debate entre o governo federal e o setor, que tentou barrar a divulgação dos resultados da prova e agora vê divergências e contesta na Justiça as informações apresentadas pelo MEC. A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), que já havia tentado barrar a divulgação dos dados, voltou a questionar o exame na Justiça.

O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirma que a inconsistência ocorreu apenas em informações preliminares repassadas a instituições de ensino, mas não afetou dados usados para calcular o desempenho dos estudantes e das faculdades na prova.

*Via Folha de São Paulo

FONTE: MAIS GOIÁS

NOTÍCIAS SIMILIARES

PUBLICIDADE

spot_imgspot_imgspot_img

spot_img

spot_imgspot_imgspot_img

spot_imgspot_imgspot_img

NOTÍCIAS RELEVANTES

Comentários Recentes