terça-feira, abril 7, 2026
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Juro alto é o maior entrave para o setor de máquinas agrícolas

Juros altos travam vendas de máquinas agrícolas e freiam otimismo na Tecnoshow

Rio Verde (GO) — Em meio a um cenário de inovação e potência no campo, o alto custo do crédito desponta como o principal obstáculo para o setor de máquinas agrícolas em 2026. A avaliação é de executivos presentes na 23ª edição da Tecnoshow, realizada no Centro Tecnológico da Cooperativa Comigo, um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro.

A Stara, uma das gigantes do setor, participa da feira com um portfólio robusto, mas adota um tom cauteloso em relação às vendas. Segundo o diretor comercial da empresa, Márcio Fülber, o momento exige prudência.

“Estamos vindo para a feira com os pés no chão. O produtor está mais seletivo, e isso favorece empresas que entregam tecnologia de ponta e assistência técnica real”, afirmou à CNN.

Apesar do forte interesse por inovação, o executivo destaca que o principal fator de retenção nas vendas não é a demanda, nem questões externas como conflitos internacionais, mas sim o custo elevado do financiamento no Brasil.

“O cenário de continuidade dos juros altos é, sem dúvida, o nosso maior entrave”, disse. “O produtor está muito mais cauteloso e cirúrgico na hora de investir.”

A análise é reforçada por dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, que apontam uma queda de 17% nas vendas do setor em janeiro de 2026. O recuo é atribuído, principalmente, à dificuldade de acesso a crédito com taxas compatíveis com as margens do agronegócio.

Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ)

Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) é uma entidade representativa do setor industrial brasileiro de bens de capital mecânicos. Fundada em 1975, atua para fortalecer a competitividade das empresas do setor, promovendo inovação, exportação e políticas industriais favoráveis à indústria nacional de máquinas e equipamentos.

Diante desse contexto, a lógica de compra mudou. Segundo Fülber, o produtor passou a exigir que o investimento “se pague” com ganhos de eficiência.

“Hoje, a máquina precisa gerar economia direta em semente, fertilizante e combustível. Com juros elevados, a eficiência precisa ser ainda maior para compensar o custo financeiro”, explicou.

Tecnologia como resposta

Mesmo com o cenário desafiador, a Stara aposta na tecnologia como diferencial competitivo. Entre os destaques apresentados na feira está a plantadeira Absoluta, voltada para culturas como soja, milho e algodão, e reconhecida pelo alto rendimento operacional.

Outro foco é o sistema de telemetria, que permite o monitoramento em tempo real das operações no campo, aumentando o controle e reduzindo perdas.

“O monitoramento em tempo real evita desperdícios e se torna ainda mais importante em um ano de margens apertadas para o produtor brasileiro”, concluiu o executivo.

A Tecnoshow segue até o fim da semana reunindo empresas, produtores e especialistas, em um momento em que inovação e custo caminham lado a lado no futuro do agronegócio.

FONTE: LUMA NOTÍCIA. CNN BRASIL

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