Remuneração mais baixa levou agricultores a plantar menos, e o clima atrapalhou a colheita. Estoques atuais durariam cerca de três semanas de consumo interno, segundo especialista do Cepea.
O preço do feijão carioca voltou a pesar no bolso do brasileiro. O alimento registrou alta de 19,69% nos últimos 12 meses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do IPCA-15, prévia da inflação oficial divulgada na última quinta-feira (26).
A alta é resultado de uma combinação de fatores: menor produção, estoques reduzidos e demanda ainda aquecida. Em fevereiro, o feijão já havia subido cerca de 11%, tanto no mês quanto no acumulado anual, mostrando uma tendência de encarecimento que se intensificou em março.
No campo, o impacto foi ainda maior. O preço pago ao produtor subiu 29,3% entre janeiro e fevereiro, atingindo o maior nível da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), iniciada em setembro de 2024.
Falta feijão no mercado
A principal razão para o aumento é a baixa oferta. A safra atual é a menor dos últimos quatro anos, com 2,92 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Já a oferta total — que inclui estoques iniciais e importações — está no menor nível em uma década, somando cerca de 3,07 milhões de toneladas.
Mesmo com o consumo interno estimado em 2,7 milhões de toneladas e exportações previstas de 214,3 mil toneladas, o estoque final deve ser muito baixo. Segundo especialistas do Cepea, esse volume seria suficiente para pouco mais de três semanas de consumo no país.
Clima e desânimo do produtor explicam cenário
Problemas climáticos também agravaram a situação. Chuvas durante a colheita em estados como Minas Gerais e Goiás prejudicaram a qualidade dos grãos e reduziram a oferta de feijão de melhor padrão.
No Sul do Brasil, o clima também impactou negativamente a produção.
Além disso, muitos produtores reduziram o plantio após enfrentarem preços baixos no ano passado. A falta de rentabilidade desestimulou o cultivo, diminuindo a área plantada nesta safra.
Quando o preço deve cair?
A expectativa é de algum alívio apenas no segundo semestre. Entre julho e setembro, ocorre a colheita do feijão carioca irrigado, que deve aumentar a oferta e ajudar a reduzir os preços.
Até lá, especialistas recomendam que o consumidor busque alternativas, como outros tipos de feijão, que ainda apresentam valores mais acessíveis no mercado.
FONTE: LUMA NOTÍCIA G1 AGRO






