quinta-feira, abril 9, 2026
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Proteína ligada ao Alzheimer se espalha pelo cérebro por conexões neurais, revela estudo

A progressão do Alzheimer pode seguir um “mapa” interno do próprio cérebro. Um estudo publicado na revista Neuron identificou que a proteína tau —uma das principais envolvidas na doença— se espalha entre neurônios conectados, acompanhando as vias naturais de comunicação neural.

A descoberta ajuda a explicar por que os sintomas da doença avançam de forma gradual, começando pela memória e evoluindo para prejuízos cognitivos mais amplos —e abre caminho para novas estratégias de tratamento.

Como a doença avança no cérebro

O Alzheimer é marcado pelo acúmulo de duas proteínas: a beta-amiloide e a tau.

A tau, normalmente responsável por dar sustentação estrutural aos neurônios, passa a se deformar e formar emaranhados tóxicos dentro das células.

O que ainda não estava claro era como esses emaranhados “viajam” pelo cérebro.

Segundo o novo estudo, pequenos fragmentos da proteína conseguem se deslocar de um neurônio para outro por meio das sinapses —as conexões que permitem a comunicação entre as células cerebrais.

Na prática, isso significa que a doença não se espalha de forma aleatória, mas segue as rotas já existentes na rede neural.

Como a perda de memória evolui para declínio cognitivo no Alzheimer

Pesquisadores identificaram que a proteína tau segue um padrão específico de avanço no cérebro — o que ajuda a explicar a progressão dos sintomas da doença.

O processo costuma começar no lobo temporal, área fundamental para a memória. À medida que a proteína se espalha, ela alcança o lobo frontal, responsável por funções mais complexas, como raciocínio, planejamento e tomada de decisões.

Essa trajetória está diretamente ligada à evolução clínica:

  • Fase inicial: falhas de memória, esquecimentos frequentes e dificuldade em reter novas informações;
  • Fase intermediária e avançada: prejuízos cognitivos mais amplos, como confusão mental, dificuldade de linguagem e perda de autonomia.

Os resultados vêm de um acompanhamento detalhado de 128 participantes ao longo de anos, com uso de exames de imagem e análises cerebrais após a morte — o que fortalece a consistência das conclusões.

Cada cérebro reage de forma única

Um dos pontos mais relevantes do estudo é que a velocidade e a extensão dessa disseminação variam de pessoa para pessoa.

Isso acontece porque cada indivíduo tem um padrão único de conexões neurais —o que influencia diretamente como e até onde a proteína tau consegue se espalhar.

Ou seja: a arquitetura do cérebro pode ajudar a determinar a progressão da doença.

Impacto direto no tratamento

A descoberta reforça uma estratégia promissora: bloquear a disseminação da proteína tau.

Cientistas já testam terapias com anticorpos que tentam impedir que a proteína “salte” de um neurônio para outro. Se esse processo for interrompido:

  • a progressão da doença pode ser desacelerada;
  • e, em estágios iniciais, possivelmente contida.

O que ainda falta esclarecer

Apesar do avanço, os cientistas ressaltam que ainda são necessários mais estudos para detalhar exatamente como esse transporte acontece dentro do cérebro.

Mesmo assim, o trabalho representa uma das evidências mais robustas até agora de que o Alzheimer se espalha seguindo as conexões neurais —e não apenas por acúmulo local de proteínas.

FONTE: G1 SAÚDE. Redação g1

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