sexta-feira, maio 8, 2026
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Cogumelos alucinógenos: dose única de psilocibina altera o cérebro por até um mês e traz maior bem-estar, diz estudo

Pesquisa com 28 voluntários indica efeitos persistentes após 25 mg, com aumento de flexibilidade cognitiva e sensação de bem-estar relatada pelos participantes.

Uma única dose de psilocibina (substância encontrada em alguns cogumelos alucinógenos) pode provocar mudanças mensuráveis no cérebro que duram até um mês. A descoberta é apontada em um estudo publicado na revista Nature Communications, que também identificou efeitos psicológicos como maior bem-estar e flexibilidade cognitiva em participantes saudáveis.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores do Imperial College London, analisou 28 adultos saudáveis que nunca haviam usado psicodélicos, com idade média de 41 anos. Todos receberam duas doses orais de psilocibina, com intervalo de um mês:

  • primeiro 1 mg, considerada subativa e usada como placebo
  • depois 25 mg, uma dose alta, capaz de induzir efeitos psicodélicos intensos

Os efeitos foram monitorados por meio de técnicas como eletroencefalograma (EEG) e ressonância magnética funcional.

  • A experiência com 25 mg foi classificada por 94% dos participantes como “o estado de consciência mais incomum de toda a minha vida”.
  • O restante colocou a experiência entre as cinco mais incomuns já vividas.
  • A dose de 1 mg, ao contrário, foi percebida pela maioria como indistinguível de um dia comum.

O que muda no cérebro

Segundo especialistas, o estudo reforça a hipótese de que os psicodélicos não atuam apenas como drogas no sentido clássico, mas aumentam a chamada flexibilidade cognitiva.

Esse efeito está relacionado a um conceito conhecido como “entropia cerebral”, que descreve o grau de variabilidade da atividade do cérebro. Em estados mais rígidos, como em alguns transtornos mentais, o funcionamento tende a ser mais repetitivo. A psilocibina, segundo essa hipótese, aumentaria essa variabilidade, permitindo novas formas de pensar e sentir.

Além disso, pesquisas anteriores já indicavam que esses compostos podem modular circuitos ligados à emoção, como a amígdala, e favorecer processos como a reavaliação emocional.

Fibras cerebrais mais compactas após a psilocibina

CIÊNCIA | Um estudo recente trouxe novas evidências sobre os efeitos da psilocibina no cérebro humano e levantou hipóteses inéditas sobre alterações estruturais em regiões ligadas ao comportamento e às emoções. Utilizando técnicas avançadas de neuroimagem, pesquisadores observaram mudanças em fibras de substância branca um mês após a administração de uma dose elevada da substância psicodélica.

O principal achado veio da técnica de imagem por tensor de difusão (DTI), usada para mapear a organização das fibras nervosas cerebrais. Após a dose alta de psilocibina, os cientistas identificaram uma redução da chamada “difusividade axial” em dois tratos neurais que conectam o córtex pré-frontal ao estriado e ao tálamo — áreas envolvidas na tomada de decisão, no controle motor e na regulação emocional.

Segundo os autores, a redução foi estatisticamente significativa (p = 0,006 e p = 0,005) e não apareceu após a dose de controle. Caso os resultados sejam confirmados em futuras pesquisas, o fenômeno poderá representar uma evidência de neuroplasticidade anatômica induzida pela primeira experiência psicodélica em humanos.

Especialistas, no entanto, alertam para a necessidade de cautela na interpretação dos resultados. A psicóloga e doutora em farmacologia Elisabet Domínguez Clavé, presidente da Sociedade Espanhola de Medicina Psicodélica (SEMPsi) e coordenadora da iniciativa Psychedelicare na Espanha, afirmou que o estudo é sólido e alinhado com o atual avanço da neurociência dos psicodélicos, mas possui limitações importantes.

Entre os principais pontos destacados estão o número reduzido de participantes, a predominância de medidas subjetivas ligadas ao bem-estar e percepção, além do fato de o experimento ter sido realizado apenas com pessoas saudáveis em ambiente controlado, o que impede extrapolações diretas para pacientes com transtornos mentais.

A pesquisa também contou com uma amostra considerada demograficamente homogênea — composta majoritariamente por participantes brancos e britânicos — e não teve pré-registro científico, prática usada para definir hipóteses antes da coleta de dados. Outro fator apontado é a ordem fixa das doses aplicadas, que dificulta separar completamente os efeitos da substância de possíveis expectativas dos voluntários.

Os próprios autores reconhecem que a interpretação das mudanças observadas é complexa. Segundo eles, a redução da difusividade axial pode refletir crescimento de fibras nervosas, mas também alterações na mielina, densidade axonal ou permeabilidade das membranas celulares.

O estudo ainda chama atenção para possíveis conflitos de interesse: o pesquisador Robin Carhart-Harris, líder da pesquisa, atua como consultor científico de empresas do setor de psicodélicos. Embora isso não invalide os resultados, especialistas afirmam que a informação deve ser considerada ao analisar as conclusões divulgadas.

FONTE: LUMA NOTÍCIA: https://g1.globo.com › saude

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