quinta-feira, julho 16, 2026
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Queda do milho pressiona cadeia da carne e da ração em Goiás e acende alerta para produtores

Redução de 31,4% na produção do milho da segunda safra pode elevar custos da alimentação animal e impactar os setores de aves, suínos e pecuária de corte no estado

A forte queda na produção do milho da segunda safra em Goiás acendeu um sinal de alerta para toda a cadeia da proteína animal. Com uma redução estimada de 31,4% na colheita do cereal — principal ingrediente utilizado na fabricação de rações — produtores de aves, suínos e bovinos em sistema de confinamento acompanham com preocupação os possíveis impactos sobre os custos de produção nos próximos meses.

Mesmo com o aumento de 5% na área cultivada de grãos, Goiás deverá registrar uma queda de 11,2% na produção total da safra 2025/2026, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa é de que o estado colha 8,7 milhões de toneladas de milho segunda safra, cerca de 4 milhões de toneladas a menos em comparação ao ciclo anterior.

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), ainda é cedo para mensurar o impacto econômico da quebra da safra. A entidade destaca que os efeitos dependerão da evolução dos preços do milho, da logística de abastecimento e do comportamento do mercado nos próximos meses.

Segundo o assessor técnico da Faeg, Lucas Lopes de Castro, o crescimento da área plantada não foi suficiente para compensar a expressiva perda de produtividade registrada nesta temporada.

“Área cultivada e produtividade nem sempre evoluem na mesma direção. Nesta safra, o principal fator responsável pela redução da produção foi a expressiva queda da produtividade das culturas de segunda safra, especialmente do milho”, afirmou.

Clima adverso comprometeu a produtividade

A redução da safra foi atribuída principalmente às condições climáticas desfavoráveis enfrentadas durante o desenvolvimento das lavouras. Entre abril e maio, importantes regiões produtoras passaram por períodos de 50 a 60 dias sem chuvas significativas, justamente em fases críticas para o desenvolvimento das plantas.

Além da estiagem, o atraso na colheita da soja fez com que parte do milho fosse semeada fora da janela ideal de plantio, aumentando a exposição das lavouras aos riscos climáticos.

Castro também ressalta que a diminuição dos investimentos em tecnologia agravou as perdas.

“A redução no uso de fertilizantes e defensivos diminuiu a capacidade das lavouras de responder aos estresses climáticos e fitossanitários”, explicou.

Reflexos na produção de carnes

A menor oferta de milho preocupa especialmente os setores que dependem do cereal para alimentação animal. O milho representa uma parcela significativa do custo de produção das rações utilizadas na avicultura, suinocultura e na pecuária intensiva.

Caso os preços do grão avancem diante da menor disponibilidade, produtores poderão enfrentar aumento dos custos de produção, cenário que pode afetar a competitividade do setor e, eventualmente, refletir nos preços das carnes ao consumidor.

Milho segunda safra teve retração de 31,4% e foi responsável por quase toda a redução da produção estadual (Foto: reprodução)

Perspectivas para as próximas safras

A Faeg avalia que a recuperação da produtividade dependerá da retomada dos investimentos em tecnologia, do cumprimento das janelas ideais de plantio e da adoção de estratégias para reduzir os impactos provocados pela crescente instabilidade climática.

Enquanto isso, o desempenho do mercado de grãos e a evolução das condições climáticas continuarão sendo fatores decisivos para definir os rumos da cadeia produtiva da proteína animal em Goiás nos próximos meses.

FONTE: Mais Goiás

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