terça-feira, julho 7, 2026
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Estudo detecta 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água do rio Tietê

Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica revelou a presença de 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água coletadas ao longo do rio Rio Tietê. A pesquisa identificou herbicidas, fungicidas e inseticidas amplamente utilizados na agricultura, incluindo a atrazina, substância classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como potencialmente cancerígena em 2024.

A análise foi realizada durante uma expedição promovida pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa. As coletas ocorreram em 14 pontos distribuídos ao longo de mais de 1.100 quilômetros do rio, desde a nascente, em Salesópolis, até a foz, em Itapura.

Herbicidas foram os contaminantes mais frequentes

Os resultados apontam que os herbicidas tebutiurom e clomazona foram encontrados em 100% das amostras analisadas. Em seguida aparecem diurom (92,86%), além de ciproconazol, hexazinona, atrazina, terbutilazina e acetamiprido, todos presentes em 85,71% das coletas.

Segundo o levantamento, parte dos agrotóxicos aplicados nas lavouras não permanece nas plantações. Com as chuvas, essas substâncias podem ser transportadas para rios, córregos e reservatórios, contaminando os recursos hídricos.

Atrazina supera limite em alguns trechos

O estudo identificou que, em determinados pontos do rio Tietê, a concentração de atrazina ultrapassou os limites estabelecidos pela Resolução Conama nº 357/2005, que define os padrões de qualidade da água para rios brasileiros.

A maior concentração de herbicidas foi registrada no trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, região marcada pela intensa produção agrícola, principalmente de cana-de-açúcar, soja e citros.

Mesmo na região da nascente, considerada relativamente preservada, pesquisadores encontraram vestígios de herbicidas e inseticidas.

Impactos ambientais preocupam pesquisadores

De acordo com o relatório, os fungicidas e inseticidas detectados podem provocar alterações fisiológicas e comportamentais em peixes e outros organismos aquáticos, além de afetar o equilíbrio da cadeia alimentar.

Os pesquisadores também alertam para o chamado “efeito coquetel”, quando diferentes substâncias químicas estão presentes simultaneamente na água, potencializando seus impactos ambientais e toxicológicos.

Outro ponto de preocupação é o abastecimento público. Embora o rio passe por processos naturais de diluição e autodepuração ao longo do percurso, o relatório destaca que os sistemas convencionais de tratamento de água nem sempre conseguem remover completamente diversos contaminantes orgânicos, incluindo diferentes classes de agrotóxicos.

Microplásticos e cocaína também foram encontrados

Além dos pesticidas, a expedição identificou microplásticos em todos os 14 pontos analisados do rio Tietê. As amostras também revelaram a presença de 16 substâncias químicas, entre medicamentos e drogas ilícitas, incluindo cocaína.

Os resultados reforçam a preocupação de especialistas com a qualidade da água de um dos principais rios do país e apontam para a necessidade de ampliar o monitoramento ambiental e adotar medidas que reduzam a contaminação dos recursos hídricos.

Veja abaixo a lista dos agrotóxicos encontrados e a frequência com que foram detectados nas amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê.

  • Tebutiurom: 100%
  • Clomazona: 100%
  • Diurom: 92,86%
  • Ciproconazol: 85,71%
  • Hexazinona: 85,71%
  • Atrazina: 85,71%
  • Terbutilazina: 85,71%
  • Acetamiprido: 85,71%
  • Azoxistrobina: 78,57%
  • Ametrina: 78,57%
  • Metalaxil-M: 71,43%
  • Tebuconazol: 71,43%
  • Metribuzim: 71,43%
  • Prometrina: 64,29%
  • Fipronil: 64,29%
  • Imidacloprido: 57,14%
  • Malationa: 50%
  • Bentazona: 42,86%
  • Tiametoxam: 42,86%
  • Bromacil: 28,57%
  • Propamocarbe: 21,43%
  • Trifloxistrobina: 14,29%
  • Fludioxonil: 14,29%
  • Indaziflam: 7,14%
  • Mesotriona: 7,14%
Equipe utilizou barcos em diversos trechos da expedição para poder coletar a água no ponto médio entre as margens. — Foto: SOS Mata Atlântica

FONTE: g1

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