terça-feira, julho 7, 2026
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Anvisa aprova uso precoce de terapia contra câncer de mama HER2-positivo e amplia opções de tratamento

Medicamento já utilizado em casos avançados da doença poderá ser administrado em pacientes com doença residual após quimioterapia e cirurgia, com objetivo de reduzir o risco de recidiva.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o medicamento Enhertu, ampliando seu uso no tratamento do câncer de mama HER2-positivo. A partir da decisão, a terapia poderá ser utilizada em uma fase mais precoce da doença, beneficiando pacientes que ainda apresentam células tumorais após o tratamento inicial com quimioterapia, terapia-alvo e cirurgia.

A aprovação contempla adultos com doença invasiva residual, condição em que exames realizados após a cirurgia identificam a permanência de células cancerígenas, mesmo após o tratamento pré-operatório. Esse grupo de pacientes apresenta maior probabilidade de recidiva da doença ao longo dos anos.

Segundo dados apresentados pela Anvisa, até 25% dos pacientes com doença residual podem sofrer retorno do câncer em até dez anos. A nova indicação busca justamente diminuir esse risco e aumentar as chances de cura.

Estudo aponta redução de 53% no risco de recorrência

A decisão da agência reguladora foi baseada em um estudo clínico que demonstrou uma redução de 53% no risco de recorrência invasiva ou morte entre os pacientes tratados com o medicamento. Os resultados também mostraram melhora na sobrevida livre de doença, indicador que mede o tempo em que o paciente permanece sem sinais do câncer após o tratamento.

O oncologista Stephen Stefani explicou que o medicamento já era utilizado em pacientes com tumores HER2-positivos avançados. Com a nova aprovação, a terapia passa a ser empregada em um estágio anterior, quando o objetivo principal é aumentar as possibilidades de cura definitiva.

Segundo o especialista, o tratamento complementar é indicado quando, mesmo após a quimioterapia realizada antes da cirurgia, ainda há presença de células tumorais identificadas no procedimento cirúrgico.

ACESSE AQUI: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/sp1/video/um-exame-de-sangue-pode-rastrear-o-cancer-de-mama-14629551.ghtml

Como funciona o medicamento

O trastuzumabe deruxtecana pertence à classe dos chamados conjugados anticorpo-droga, tecnologia que combina um anticorpo capaz de identificar uma característica específica das células tumorais com um agente quimioterápico.

No caso do Enhertu, o anticorpo reconhece a proteína HER2, presente em grande quantidade em determinados tumores de mama. Após se ligar à célula cancerígena, o medicamento libera a substância responsável por destruir o tumor, reduzindo a exposição das células saudáveis aos efeitos da quimioterapia convencional.

Outra característica da terapia é o chamado efeito espectador (bystander effect), mecanismo que permite que o medicamento também atinja células tumorais próximas, mesmo quando apresentam menor expressão da proteína HER2, ampliando sua ação contra o câncer.

Medicamento ainda não está disponível no SUS

Apesar da autorização da Anvisa, o tratamento ainda não faz parte da rede pública de saúde. Para que seja disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), será necessária uma avaliação de incorporação, processo que considera fatores como eficácia clínica, segurança, custo e impacto financeiro para o sistema.

HER2-positivo representa até 19% dos casos

O câncer de mama continua sendo o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres e uma das principais causas de morte pela doença no mundo. No Brasil, são estimados mais de 70 mil novos casos por ano.

Entre 10% e 19% dos tumores apresentam superexpressão da proteína HER2, subtipo historicamente associado a maior agressividade. Nos últimos anos, entretanto, o desenvolvimento de terapias direcionadas transformou o tratamento desses pacientes, aumentando significativamente as perspectivas de controle da doença e de cura.

Com a nova indicação do Enhertu, especialistas avaliam que a oncologia avança mais um passo na utilização de tratamentos cada vez mais personalizados e precoces, buscando reduzir o risco de retorno do câncer e melhorar os resultados em longo prazo.

FONTE: G1

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