Presidente ampliou votação em mais de 10,3 milhões de votos entre os turnos; Minas Gerais foi o único estado em que houve troca de liderança, enquanto o Nordeste reforçou a vantagem petista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou uma virada na disputa pela Presidência da República em 2026. Após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o petista reverteu o resultado e venceu a eleição com 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões do adversário, segundo os números atribuídos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O resultado foi impulsionado pelo crescimento da votação de Lula em diferentes regiões do país. Entre os principais fatores estão a mudança de liderança em Minas Gerais, a redução da vantagem de Flávio Bolsonaro em grandes colégios eleitorais do Sudeste e o fortalecimento do presidente no Nordeste.
Em Goiás, Lula registrou o maior crescimento percentual entre as unidades da Federação, embora tenha terminado o segundo turno atrás do candidato do PL.
Lula acrescentou mais de 10,3 milhões de votos
No segundo turno, realizado no domingo (25), Lula recebeu 10.362.248 votos a mais em comparação com a primeira etapa da eleição. Flávio Bolsonaro também ampliou sua votação, com um acréscimo de 3.714.384 votos.
Com isso, a vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos que o candidato do PL havia construído no primeiro turno foi revertida. Ao final da disputa, Lula terminou com uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos sobre o adversário.
Goiás registra maior crescimento percentual
Goiás foi o estado em que Lula apresentou o maior avanço em pontos percentuais entre os dois turnos. O presidente passou de 31,06% para 40,34% dos votos válidos, um crescimento de 9,28 pontos percentuais.
Em números absolutos, a votação do petista aumentou de 1.188.880 para 1.585.555 votos, um acréscimo de 396.675.
Apesar do avanço, Flávio Bolsonaro manteve a liderança no estado e encerrou a disputa com 59,66% dos votos válidos.
No Distrito Federal, Lula também ampliou sua participação, passando de 38,11% para 45,72%. O crescimento, porém, não foi suficiente para superar o adversário.
A votação de Lula aumentou nas 27 unidades da Federação, incluindo os 26 estados e o Distrito Federal. Isso não significou vitória em todos os locais, já que Flávio manteve a liderança em parte deles.
Minas Gerais foi decisivo para a virada
Minas Gerais foi o único estado em que houve troca de liderança entre os candidatos do primeiro para o segundo turno.
Na primeira etapa, Flávio Bolsonaro recebeu 5.777.548 votos, equivalentes a 48,24% dos válidos. Lula obteve 5.188.936 votos, ou 43,33%.
No segundo turno, o petista chegou a 6.338.292 votos, correspondentes a 50,41%. Flávio terminou com 6.235.321 votos, ou 49,59%.
Dessa forma, Lula transformou uma desvantagem de 588.612 votos em uma vantagem de 102.971 votos no estado.
A mudança também alterou o mapa eleitoral nacional. No primeiro turno, Lula havia liderado em 12 unidades da Federação. No segundo, passou a vencer em 13, enquanto Flávio terminou à frente em 14 estados.
São Paulo e Rio de Janeiro reduzem vantagem de Flávio
São Paulo foi o estado em que Lula mais ampliou sua votação em números absolutos. O presidente passou de 9.505.413 votos no primeiro turno para 12.119.274 no segundo, um aumento de 2.613.861 votos.
Flávio Bolsonaro também cresceu no estado, passando de 12.922.023 para 14.139.178 votos. Mesmo assim, a diferença entre os dois candidatos caiu de 3.416.610 para 2.019.904 votos, uma redução de quase 1,4 milhão.
No Rio de Janeiro, o movimento foi semelhante. Lula avançou de 3.693.021 para 4.565.286 votos. Flávio manteve a liderança, mas viu sua vantagem diminuir de 1.273.823 para 603.616 votos.
Embora não tenham garantido vitórias para Lula nesses dois estados, os avanços contribuíram para reduzir a distância entre os candidatos no resultado nacional.

Nordeste reforça a vantagem de Lula
O Nordeste também teve papel importante no resultado. Lula manteve a liderança nos nove estados da região e ampliou seu percentual de votos válidos em todos eles.
Somados os resultados estaduais apresentados, o presidente recebeu aproximadamente 2,95 milhões de votos a mais na região em comparação com o primeiro turno.
A Bahia registrou o maior acréscimo absoluto de votos para Lula entre os estados nordestinos. O petista passou de 5.664.771 votos, equivalentes a 66,17%, para 6.484.995, ou 71,31%.
Em Pernambuco, Lula avançou de 63,45% para 69,20%, com 563.542 votos adicionais. No Ceará, passou de 63,29% para 68,93%, acrescentando 480.861 votos.
No Piauí, onde já havia alcançado 70,99% no primeiro turno, o presidente chegou a 75,88%.
Diferentemente do Sudeste, onde o crescimento de Lula ajudou principalmente a diminuir a vantagem do adversário, no Nordeste o avanço ampliou uma liderança que o petista já havia conquistado na primeira etapa.
Lula virou em 211 municípios
Além da mudança de liderança em Minas Gerais, Lula passou do segundo lugar à primeira posição em 211 municípios brasileiros entre os dois turnos.
Entre as cidades que registraram virada estão as capitais Rio de Janeiro e Macapá, além de municípios das regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Belém.

Na cidade do Rio de Janeiro, Lula avançou de 43,91% para 51,54% dos votos válidos. Após terminar o primeiro turno 137.837 votos atrás de Flávio, o petista encerrou o segundo com vantagem de 113.193 votos.
Em Macapá, o presidente passou de 43,30% para 50,99%, revertendo uma desvantagem de 10.199 votos e terminando a disputa com 4.886 votos de vantagem.
Entre os municípios em que houve virada, o maior crescimento percentual de Lula foi registrado em Itabirito, em Minas Gerais. O petista avançou de 41,04% para 52,49%, uma alta de 11,45 pontos percentuais.
Em Goiás, Três Ranchos também se destacou, com crescimento de 11,10 pontos percentuais: de 40,36% para 51,46%.
Já em Crixás, onde Lula havia perdido o primeiro turno por uma diferença de apenas 25 votos, o presidente conseguiu reverter o resultado e venceu a segunda etapa por 451 votos.
Os números indicam que a virada nacional foi resultado de uma combinação de fatores: crescimento expressivo da votação de Lula em todo o país, fortalecimento de sua vantagem no Nordeste, redução das diferenças em estados populosos do Sudeste e a conquista de Minas Gerais, onde o petista conseguiu ultrapassar Flávio Bolsonaro.






