quinta-feira, outubro 29, 2026
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Prefeita de Porangatu culpa governo Lula após morte fetal e defende fechamento de faculdades de Medicina

Vanusa Valadares fez declarações durante visita a paciente que relatava dores e pedia transferência hospitalar; prefeitura afirma que atendimento será apurado

A prefeita de Porangatu, no norte de Goiás, Vanusa Valadares (União Brasil), criticou a formação médica no país e responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por supostas falhas no atendimento a uma gestante que perdeu o bebê. Durante uma visita à unidade de saúde, a paciente relatou dores intensas e pediu ajuda para conseguir transferência hospitalar.

Em vídeo divulgado pelo portal Mais Goiás, a prefeita afirmou que “tem que fechar todas as faculdades de Medicina do Brasil” e atribuiu ao governo federal a responsabilidade pelo que classificou como problemas na assistência médica. As declarações foram feitas no sábado (24/10), às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.

“É esse desgoverno do PT que está acabando com o Brasil e colocando pessoas em risco!”, declarou Vanusa. Em outro momento, a prefeita dirigiu-se à paciente e afirmou que providenciaria a transferência. Na sequência, fez um apelo político: “E chega de votar em Lula!”.

Paciente relatou dores e supostas falhas no atendimento

Durante a conversa registrada em vídeo, a gestante contou que havia procurado atendimento médico anteriormente e que, segundo seu relato, não recebeu medicamentos para tratar uma possível infecção urinária. Ela também afirmou ter recebido diagnóstico de anemia, sem a prescrição de remédios para a condição.

“Ele disse que eu estava com anemia, que a anemia estava forte, nenhum remédio para anemia ele passou, nenhum remédio para infecção ele passou”, relatou a paciente.

A mulher afirmou que um exame de ultrassom constatou a ausência de batimentos cardíacos fetais. Diante da situação, pediu ajuda para conseguir uma vaga em outra unidade hospitalar.

“A única coisa que eu quero é que consigam uma vaga para mim, para transferir, para tirar o neném de dentro de mim, porque eu não aguento mais de tanta dor que eu estou sentindo”, disse.

Ao ouvir o relato, Vanusa perguntou quem havia realizado o atendimento anterior e há quanto tempo a paciente estava internada. A prefeita afirmou que buscaria identificar o profissional responsável e que a situação deveria ter consequências.

Prefeitura apresenta cronologia dos atendimentos

Em nota, a Prefeitura de Porangatu informou que a paciente foi atendida em 13 de outubro, quando realizou um exame de urina que, segundo a administração municipal, não indicou infecção urinária.

De acordo com a gestão, a mulher retornou à unidade em 19 de outubro. Na ocasião, um novo exame identificou a infecção, e o tratamento foi iniciado. Durante o atendimento, um ultrassom transvaginal constatou a ausência de batimentos cardíacos fetais, confirmando a perda gestacional.

A prefeitura afirmou ainda que a paciente permaneceu sob assistência da equipe de saúde, com quadro clínico estável, enquanto aguardava a regulação para transferência. No dia 25 de outubro, ela foi encaminhada ao Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, para continuidade do atendimento especializado.

A administração municipal informou que os fatos serão apurados por meio da análise dos registros assistenciais e das circunstâncias dos atendimentos, com o objetivo de identificar eventuais falhas e adotar as providências cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades.

Prefeita questiona qualidade da formação médica

Durante a visita, Vanusa também defendeu que o governo federal interrompa a criação de novos cursos de Medicina. Segundo ela, há profissionais ingressando no mercado de trabalho sem o preparo ou o comprometimento necessários para exercer a profissão.

A prefeitura, por sua vez, afirmou que a preocupação com a qualidade da formação médica faz parte de um debate nacional. Em sua manifestação, citou os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025, divulgados pelo Ministério da Educação em janeiro de 2026.

Segundo os dados mencionados pela gestão municipal, dos 351 cursos avaliados, 107 obtiveram conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios.

A administração ressaltou, contudo, seu respeito aos profissionais que exercem a Medicina com ética e dedicação e afirmou que a apuração do caso deverá respeitar os critérios técnicos, o sigilo das informações e os direitos dos envolvidos.

Prefeitura classifica declarações como desabafo

Em nota, a gestão municipal afirmou que as declarações da prefeita ocorreram em um momento de comoção diante do sofrimento da paciente.

Segundo a administração, Vanusa se manifestou sensibilizada com a perda gestacional e com a necessidade de garantir atendimento adequado à população. A prefeitura classificou a fala como um desabafo pontual e afirmou que a prioridade é prestar assistência à paciente e esclarecer as circunstâncias do caso.

Até que a apuração seja concluída, não há, nas informações apresentadas pela prefeitura, uma conclusão definitiva sobre eventual erro médico ou sobre a existência de relação entre os atendimentos anteriores e a perda gestacional.

A gestão municipal reiterou o compromisso com a qualidade dos serviços públicos de saúde e afirmou que eventuais irregularidades serão tratadas conforme os procedimentos cabíveis.

FONTE:Mais Goiás

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