Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica revelou a presença de 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água coletadas ao longo do rio Rio Tietê. A pesquisa identificou herbicidas, fungicidas e inseticidas amplamente utilizados na agricultura, incluindo a atrazina, substância classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como potencialmente cancerígena em 2024.
A análise foi realizada durante uma expedição promovida pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa. As coletas ocorreram em 14 pontos distribuídos ao longo de mais de 1.100 quilômetros do rio, desde a nascente, em Salesópolis, até a foz, em Itapura.
Herbicidas foram os contaminantes mais frequentes
Os resultados apontam que os herbicidas tebutiurom e clomazona foram encontrados em 100% das amostras analisadas. Em seguida aparecem diurom (92,86%), além de ciproconazol, hexazinona, atrazina, terbutilazina e acetamiprido, todos presentes em 85,71% das coletas.
Segundo o levantamento, parte dos agrotóxicos aplicados nas lavouras não permanece nas plantações. Com as chuvas, essas substâncias podem ser transportadas para rios, córregos e reservatórios, contaminando os recursos hídricos.
Atrazina supera limite em alguns trechos
O estudo identificou que, em determinados pontos do rio Tietê, a concentração de atrazina ultrapassou os limites estabelecidos pela Resolução Conama nº 357/2005, que define os padrões de qualidade da água para rios brasileiros.
A maior concentração de herbicidas foi registrada no trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, região marcada pela intensa produção agrícola, principalmente de cana-de-açúcar, soja e citros.
Mesmo na região da nascente, considerada relativamente preservada, pesquisadores encontraram vestígios de herbicidas e inseticidas.
Impactos ambientais preocupam pesquisadores
De acordo com o relatório, os fungicidas e inseticidas detectados podem provocar alterações fisiológicas e comportamentais em peixes e outros organismos aquáticos, além de afetar o equilíbrio da cadeia alimentar.
Os pesquisadores também alertam para o chamado “efeito coquetel”, quando diferentes substâncias químicas estão presentes simultaneamente na água, potencializando seus impactos ambientais e toxicológicos.
Outro ponto de preocupação é o abastecimento público. Embora o rio passe por processos naturais de diluição e autodepuração ao longo do percurso, o relatório destaca que os sistemas convencionais de tratamento de água nem sempre conseguem remover completamente diversos contaminantes orgânicos, incluindo diferentes classes de agrotóxicos.
Microplásticos e cocaína também foram encontrados
Além dos pesticidas, a expedição identificou microplásticos em todos os 14 pontos analisados do rio Tietê. As amostras também revelaram a presença de 16 substâncias químicas, entre medicamentos e drogas ilícitas, incluindo cocaína.
Os resultados reforçam a preocupação de especialistas com a qualidade da água de um dos principais rios do país e apontam para a necessidade de ampliar o monitoramento ambiental e adotar medidas que reduzam a contaminação dos recursos hídricos.
Veja abaixo a lista dos agrotóxicos encontrados e a frequência com que foram detectados nas amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê.
- Tebutiurom: 100%
- Clomazona: 100%
- Diurom: 92,86%
- Ciproconazol: 85,71%
- Hexazinona: 85,71%
- Atrazina: 85,71%
- Terbutilazina: 85,71%
- Acetamiprido: 85,71%
- Azoxistrobina: 78,57%
- Ametrina: 78,57%
- Metalaxil-M: 71,43%
- Tebuconazol: 71,43%
- Metribuzim: 71,43%
- Prometrina: 64,29%
- Fipronil: 64,29%
- Imidacloprido: 57,14%
- Malationa: 50%
- Bentazona: 42,86%
- Tiametoxam: 42,86%
- Bromacil: 28,57%
- Propamocarbe: 21,43%
- Trifloxistrobina: 14,29%
- Fludioxonil: 14,29%
- Indaziflam: 7,14%
- Mesotriona: 7,14%

FONTE: g1






