quarta-feira, julho 8, 2026
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Tutor denuncia omissão de socorro a cão em Goiânia; clínica nega e diz que temeu invasão

Goiânia – O caso da morte do cachorro Max, em Goiânia, ganhou repercussão nas redes sociais após o tutor do animal denunciar uma suposta omissão de socorro por parte de uma clínica veterinária da capital. Em entrevista exclusiva ao Mais Goiás, a proprietária do estabelecimento negou que tenha havido recusa deliberada de atendimento e afirmou que a equipe acreditou estar diante de uma tentativa de invasão.

Segundo a proprietária da clínica, Bianca Silva, Max foi atendido pela primeira vez em 16 de junho, quando apresentava lesões na pele. Na ocasião, foram realizados exames que, de acordo com ela, não indicaram alterações significativas, e um tratamento inicial foi iniciado para acompanhar a evolução do quadro.

“No diagnóstico inicial ainda não era possível afirmar a causa das lesões. Havia um possível quadro dermatológico, por isso iniciamos o tratamento e orientamos o tutor a acompanhar a evolução”, afirmou.

No dia 2 de julho, o cachorro retornou à unidade para uma nova avaliação, desta vez realizada por outro médico-veterinário. Foram solicitados um hemograma e um teste 4Dx, que apontou resultado positivo para erliquiose, doença transmitida pelo carrapato.

Bianca afirma que o tutor recebeu prescrição médica, orientações sobre o tratamento e a recomendação de retornar imediatamente caso o animal apresentasse piora. Segundo ela, no dia seguinte, a equipe entrou em contato por WhatsApp para acompanhar a evolução do paciente.

“Nós perguntamos como ele estava. A resposta foi apenas perguntando se deveria continuar administrando a medicação. Em nenhum momento foi informado que o quadro havia piorado”, disse.

Versões divergentes sobre o atendimento

A principal divergência entre as partes está nos acontecimentos registrados no dia da morte de Max.

De acordo com a proprietária, a clínica operava em regime de plantão 24 horas e, naquele momento, havia apenas duas funcionárias no local: uma médica-veterinária no piso superior e uma assistente responsável pelos animais internados nos fundos do imóvel.

Ela afirma que o tutor tentou entrar por uma porta que não é utilizada para atendimento ao público.

“Aquela entrada está desativada há meses. Existem placas indicando que ela não é utilizada para atendimento e a entrada principal fica em outro local”, declarou.

Segundo Bianca, as colaboradoras ouviram gritos, fortes batidas e tentativas de abrir a grade, mas não conseguiram identificar quem estava do lado de fora.

“Elas não sabiam que havia um cachorro precisando de atendimento. Pela situação, acreditaram que alguém estava tentando invadir a clínica”, afirmou.

Ainda de acordo com a proprietária, o tutor teria danificado cadeados e parte da estrutura da entrada, o que levou as funcionárias a acionarem imediatamente o gerente da unidade e a Polícia Militar.

Investigação interna aponta falha de comunicação

Após a repercussão do caso, a clínica informou ter realizado uma apuração interna, com análise das imagens das câmeras de segurança e entrevistas com as colaboradoras que estavam de plantão.

Segundo Bianca Silva, a empresa identificou uma falha na comunicação, mas rejeitou a acusação de negativa proposital de atendimento.

“Houve uma falha muito grande na comunicação. Se ele tivesse utilizado o interfone, ligado para a clínica ou informado que estava chegando com um animal em estado grave, provavelmente tudo teria acontecido de outra forma. Também entendemos que ele estava desesperado, mas a maneira como chegou fez com que nossas funcionárias interpretassem a situação como uma tentativa de invasão”, disse.

Ela acrescentou que, quando o gerente chegou ao local, o cachorro já apresentava sinais compatíveis com rigidez cadavérica.

Clínica lamenta a morte de Max

A proprietária afirmou que a morte de Max também abalou a equipe da clínica.

“Nós trabalhamos diariamente para salvar vidas. Foi uma situação extremamente triste para todos nós. Sentimos profundamente pela perda do Max e nos solidarizamos com a dor da família”, declarou.

A clínica informou ainda que irá reavaliar seus protocolos internos para evitar situações semelhantes no futuro.

O caso continua repercutindo nas redes sociais e pode ser alvo de apuração pelas autoridades competentes. Enquanto o tutor sustenta que houve omissão de socorro em uma situação de emergência, a clínica afirma que a equipe não tinha conhecimento de que havia um animal em estado grave do lado de fora e que a situação foi agravada por uma falha de comunicação e pela forma como ocorreu a tentativa de acesso à unidade.

FONTE: Mais Goiás

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