Estratégia da campanha é terminar primeira etapa à frente de Lula e transformar resultado em sinal de força para atrair eleitores de candidatos da direita e partidos do Centrão
Dentro da campanha do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, a estratégia é terminar o primeiro turno à frente do presidente Lula, criando um sentimento de favoritismo capaz de atrair a maior parte dos eleitores dos demais candidatos de direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
A equipe de Flávio espera, inclusive, algo que faltou no primeiro turno, o apoio oficial dos partidos do Centrão.
Os mais otimistas na campanha de Flávio Bolsonaro falam até na possibilidade de vencer a eleição já no primeiro turno, com a criação de uma onda a favor do que chamam de “voto útil” nesta reta final.
Datafolha mostra potencial de transferência de votos
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (23) mostra que, em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o candidato do PL reúne 43% das intenções de voto entre eleitores que declararam preferência por Zema, Renan Santos, Caiado e Augusto Cury no primeiro turno. Lula aparece com 30% nesse mesmo grupo, enquanto 26% optam por branco, nulo ou nenhum.
O recorte, porém, não representa o eleitorado geral. Na simulação nacional de segundo turno divulgada pelo instituto, Lula aparece com 46%, contra 44% de Flávio, em cenário de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Entre os eleitores de Zema, Flávio registra 48%, contra 25% de Lula. Entre os apoiadores de Renan Santos, o senador tem 43%, ante 22% do presidente. Já entre os eleitores de Caiado e Cury, a diferença fica dentro da margem de erro específica de cada segmento.
Lula aposta em medidas econômicas e combate às bets
Do outro lado, a campanha de Lula trabalha para chegar ao segundo turno na liderança. Entre as iniciativas recentes do governo está o reajuste do Bolsa Família e uma medida provisória voltada ao combate às apostas online, as chamadas bets.

Aliados do presidente avaliam que o tema das apostas pode ter impacto especialmente entre as mulheres, segmento em que Lula apresenta vantagem nas pesquisas citadas pela campanha.
O cenário eleitoral, entretanto, permanece apertado. Levantamentos divulgados em setembro mostram oscilações entre Lula e Flávio no primeiro turno, com diferentes institutos registrando desde vantagem numérica de Lula até empate técnico ou pequena vantagem de Flávio.
Centrão no centro da disputa
A definição do primeiro colocado também é observada por partidos do Centrão, que historicamente desempenham papel relevante nas articulações políticas durante e depois das eleições.
Na avaliação de aliados de Lula citada na reportagem, uma liderança do petista no primeiro turno poderia ajudar a manter parte desses partidos em sua órbita durante o segundo turno.
Já no entorno de Flávio, a expectativa é que uma eventual vitória na primeira etapa produza um efeito de concentração de votos e facilite a aproximação com outras forças políticas.
Outro ponto de atenção é o comportamento de governadores e lideranças estaduais. Em São Paulo, por exemplo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é citado como uma figura importante nas articulações do campo da direita.
A disputa, portanto, não envolve apenas a passagem para o segundo turno. O resultado da primeira etapa também poderá influenciar a formação de alianças e a movimentação dos partidos entre os dois turnos.

FONTE: G1






