terça-feira, outubro 20, 2026
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SUS começa a ofertar nove medicamentos contra o câncer; governo prevê mais 23 tratamentos até o fim do ano

Novos medicamentos devem beneficiar 116 mil pacientes e ampliar as opções de tratamento na rede pública; política também prevê exames de rastreamento e novas técnicas cirúrgicas.

O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a ofertar nove medicamentos para o tratamento do câncer. Segundo o Ministério da Saúde, os fármacos serão utilizados em 13 indicações terapêuticas, contemplando tumores de mama, estômago, rim, próstata, pulmão e tireoide, além de diferentes tipos de linfoma.

A expectativa do governo federal é beneficiar cerca de 116 mil pacientes com a ampliação da oferta. A iniciativa faz parte do programa AF-Onco, desenvolvido para organizar e ampliar o acesso aos tratamentos oncológicos no sistema público. A meta é disponibilizar 23 novos medicamentos contra o câncer até o fim de 2026.

Veja quais são os nove medicamentos

Os medicamentos serão distribuídos a 21 centros de tratamento localizados em 17 estados brasileiros. A lista inclui fármacos que já são utilizados pelo SUS para determinadas doenças, mas que passarão a atender também novas indicações.

Confira os medicamentos e suas aplicações:

  • Trastuzumabe: tratamento do câncer de estômago.
  • Abemaciclibe: câncer de mama em estágio inicial com alto risco de recorrência.
  • Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: câncer renal.
  • Rituximabe: diferentes tipos de linfoma.
  • Abiraterona: câncer de próstata.
  • Gefitinibe: câncer de pulmão.
  • TSH recombinante (alfatirotropina): tratamento relacionado ao câncer de tireoide.
  • Sunitinibe: carcinoma renal de células claras e tumores estromais gastrointestinais (GIST).

Um dos destaques é o abemaciclibe, medicamento indicado para determinados casos de câncer de mama. Na rede privada, o tratamento pode ultrapassar R$ 350 mil por ano, conforme documentos citados em processos judiciais.

Outro exemplo é o trastuzumabe, que já integra o tratamento de pacientes com câncer de mama no SUS e passará a ser utilizado também em casos de câncer de estômago.

Governo prevê ampliar tratamentos em 35%

De acordo com o Ministério da Saúde, a disponibilização dos 23 medicamentos previstos deverá ampliar em 35% as alternativas de tratamento oncológico na rede pública.

A nova política estabelece que o governo federal ficará responsável pela compra e distribuição dos medicamentos de maior custo para estados e municípios. A proposta também prevê o aumento dos repasses destinados a contratos de fornecimento que permanecem sob responsabilidade dos hospitais.

Para financiar a reformulação, o ministério reservou R$ 3,9 bilhões no orçamento proposto para 2027. O valor, no entanto, ainda depende de aprovação do Congresso Nacional.

A política também prevê mecanismos de controle sobre a distribuição dos medicamentos. Os tratamentos de maior valor poderão exigir autorização prévia, com análise de informações clínicas dos pacientes e de outros critérios relacionados à indicação terapêutica.

SUS também ampliará exames para detectar câncer

Além dos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou medidas para ampliar o rastreamento e o diagnóstico de diferentes tipos de câncer.

Uma delas é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos como FIT, voltados ao rastreamento do câncer colorretal. A implementação gradual está prevista para começar em novembro, nas capitais e em municípios com mais de 500 mil habitantes.

O exame é destinado a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. Ele identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal.

O teste será utilizado como método inicial de triagem para identificar pessoas que precisam realizar uma colonoscopia para investigação e confirmação diagnóstica. Segundo o ministério, a precisão do exame pode chegar a 92%.

Outra iniciativa é a implementação do rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV, que busca identificar a presença do papilomavírus humano, associado ao desenvolvimento da doença.

Imagem: FreePik

Cirurgias oncológicas também entram na estratégia

O ministério informou ainda que passou a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão.

A técnica é minimamente invasiva e utiliza pequenas incisões, uma câmera e instrumentos cirúrgicos específicos. Entre os benefícios esperados estão a redução do tempo de internação e a diminuição de complicações no período pós-operatório.

Com a ampliação dos medicamentos, dos exames e dos procedimentos cirúrgicos, o governo pretende fortalecer a assistência oncológica no SUS e ampliar o acesso da população ao diagnóstico e ao tratamento do câncer.

As medidas fazem parte de uma estratégia para aumentar as opções terapêuticas disponíveis na rede pública e reduzir as barreiras de acesso a tratamentos de alto custo.

FONTE: piauimidia.com.br

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