Novos medicamentos devem beneficiar 116 mil pacientes e ampliar as opções de tratamento na rede pública; política também prevê exames de rastreamento e novas técnicas cirúrgicas.
O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a ofertar nove medicamentos para o tratamento do câncer. Segundo o Ministério da Saúde, os fármacos serão utilizados em 13 indicações terapêuticas, contemplando tumores de mama, estômago, rim, próstata, pulmão e tireoide, além de diferentes tipos de linfoma.
A expectativa do governo federal é beneficiar cerca de 116 mil pacientes com a ampliação da oferta. A iniciativa faz parte do programa AF-Onco, desenvolvido para organizar e ampliar o acesso aos tratamentos oncológicos no sistema público. A meta é disponibilizar 23 novos medicamentos contra o câncer até o fim de 2026.
Veja quais são os nove medicamentos
Os medicamentos serão distribuídos a 21 centros de tratamento localizados em 17 estados brasileiros. A lista inclui fármacos que já são utilizados pelo SUS para determinadas doenças, mas que passarão a atender também novas indicações.
Confira os medicamentos e suas aplicações:
- Trastuzumabe: tratamento do câncer de estômago.
- Abemaciclibe: câncer de mama em estágio inicial com alto risco de recorrência.
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: câncer renal.
- Rituximabe: diferentes tipos de linfoma.
- Abiraterona: câncer de próstata.
- Gefitinibe: câncer de pulmão.
- TSH recombinante (alfatirotropina): tratamento relacionado ao câncer de tireoide.
- Sunitinibe: carcinoma renal de células claras e tumores estromais gastrointestinais (GIST).
Um dos destaques é o abemaciclibe, medicamento indicado para determinados casos de câncer de mama. Na rede privada, o tratamento pode ultrapassar R$ 350 mil por ano, conforme documentos citados em processos judiciais.
Outro exemplo é o trastuzumabe, que já integra o tratamento de pacientes com câncer de mama no SUS e passará a ser utilizado também em casos de câncer de estômago.
Governo prevê ampliar tratamentos em 35%
De acordo com o Ministério da Saúde, a disponibilização dos 23 medicamentos previstos deverá ampliar em 35% as alternativas de tratamento oncológico na rede pública.
A nova política estabelece que o governo federal ficará responsável pela compra e distribuição dos medicamentos de maior custo para estados e municípios. A proposta também prevê o aumento dos repasses destinados a contratos de fornecimento que permanecem sob responsabilidade dos hospitais.
Para financiar a reformulação, o ministério reservou R$ 3,9 bilhões no orçamento proposto para 2027. O valor, no entanto, ainda depende de aprovação do Congresso Nacional.
A política também prevê mecanismos de controle sobre a distribuição dos medicamentos. Os tratamentos de maior valor poderão exigir autorização prévia, com análise de informações clínicas dos pacientes e de outros critérios relacionados à indicação terapêutica.
SUS também ampliará exames para detectar câncer
Além dos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou medidas para ampliar o rastreamento e o diagnóstico de diferentes tipos de câncer.
Uma delas é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos como FIT, voltados ao rastreamento do câncer colorretal. A implementação gradual está prevista para começar em novembro, nas capitais e em municípios com mais de 500 mil habitantes.
O exame é destinado a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. Ele identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal.
O teste será utilizado como método inicial de triagem para identificar pessoas que precisam realizar uma colonoscopia para investigação e confirmação diagnóstica. Segundo o ministério, a precisão do exame pode chegar a 92%.
Outra iniciativa é a implementação do rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV, que busca identificar a presença do papilomavírus humano, associado ao desenvolvimento da doença.

Cirurgias oncológicas também entram na estratégia
O ministério informou ainda que passou a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão.
A técnica é minimamente invasiva e utiliza pequenas incisões, uma câmera e instrumentos cirúrgicos específicos. Entre os benefícios esperados estão a redução do tempo de internação e a diminuição de complicações no período pós-operatório.
Com a ampliação dos medicamentos, dos exames e dos procedimentos cirúrgicos, o governo pretende fortalecer a assistência oncológica no SUS e ampliar o acesso da população ao diagnóstico e ao tratamento do câncer.
As medidas fazem parte de uma estratégia para aumentar as opções terapêuticas disponíveis na rede pública e reduzir as barreiras de acesso a tratamentos de alto custo.
FONTE: piauimidia.com.br






