terça-feira, setembro 29, 2026
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Dono de imobiliária preso por suspeita de golpes de R$ 1 milhão com imóveis de luxo

Segundo a investigação da polícia, Roger Kogi Tabata ficava com o dinheiro dos aluguéis dos imóveis que ele administrava. Uma das vítimas também contou que pagou R$ 115 mil de entrada na compra de um imóvel, que não aconteceu.

Oito vítimas já registraram denúncias na Polícia Civil contra o dono de imobiliária e corretor Roger Kogi Tabata, de 57 anos, que foi preso suspeito de dar golpes por meio de imóveis de luxo em Goiânia e outras cidades de Goiás. De acordo com as investigações, ele ficava com aluguéis pagos pelos inquilinos e também teria retido valores referentes a entradas de compras de imóveis.

Em nota enviada ao g1 , a defesa de Roger disse que recebeu com surpresa a decretação da prisão e que as acusações divulgadas ainda serão devidamente apuradas no âmbito judicial. “Roger não se ocultou nem abandonou deliberadamente as questões que lhe foram apresentadas. Pelo contrário, vem comparecendo por intermédio de sua defesa aos processos instaurados e buscando soluções para as controvérsias existentes”, disse a defesa

O empresário foi preso em seu apartamento, no Jardim Goiás. De acordo com a polícia, a investigação começou há cerca de três meses, após uma das vítimas foi até uma delegacia no Setor Bueno informando que o administrador da locação de seu imóvel passou a se apossar dos aluguéis. Os imóveis eram alugados, em média, por R$ 5 mil.

Em entrevista à TV Anhanguera, outra vítima relatou situação semelhante. A enfermeira Amanda Guimarães contou que os aluguéis eram repassados com atraso e, nos últimos meses, nem chegaram a ser transferidos para ela.

“O combinado era ele repassar R$ 5.500, descontando a taxa de administração dele, todo dia 25 do mês. Ele não fez da forma correta. E aí ele começou a atrasar, atrasar, atrasar. E em agosto ele não pagou mais”.

Os golpes não envolviam apenas locações. Também à TV Anhanguera, uma outra vítima, que preferiu não ser identificada, disse que tentou comprar um apartamento. Ela diz que pagou R$ 115 mil de entrada referente ao valor total de R$ 500 mil. Depois, viu que tinha caído em um golpe.

“Quando era pra assinar algum papel, pra ir lá ao cartório, ele vinha pessoalmente. Me colocou no carro dele, bem elegante. (Ficava) Enrolando pra entregar o imóvel. Sempre falava que estava quase pronto”, disse a mulher.

O delegado William Bretz, responsável pela investigação, disse à TV Anhanguera que Roger apresentava desculpas continuamente às vítimas para ficar com o dinheiro.

“Ele dizia às proprietárias que o inquilino passava por um momento difícil, pra poder ganhar tempo e, através de artimanhas, estratagemas, buscar mais valores e eventualmente ir conseguindo mais e mais. E ir se enriquecendo assim”, explicou.

Outra vítima, que tinha imóvel alugado por meio de Roger, ficou um ano sem receber o dinheiro, de acordo com o advogado Tabajara Povoa, que representa essa cliente e outra. “Em torno de R$ 120 mil (de prejuízo). Em torno de R$ 60 mil, R$ 67 mil cada uma”, detalhou.

Para a polícia, o empresário teria cometido pelo menos três crimes: estelionato, apropriação indébita e associação criminosa.

Segundo o Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de Goiás (Sindmóveis), houve denúncias contra Roger no Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO). Já o Creci-GO, informou que a Câmara Julgadora do órgão analisou os processos, autuou o profissional e pediu o cancelamento do registro dele.

Leia a íntegra da nota da defesa:

“A defesa de Roger Kogi Tabata informa que recebeu com surpresa a decretação de sua prisão e já está adotando todas as medidas judiciais cabíveis para assegurar o pleno exercício de seus direitos e garantias constitucionais.

É importante esclarecer que as acusações divulgadas ainda serão devidamente apuradas no âmbito judicial, inexistindo, até o presente momento, condenação definitiva contra Roger. Parte relevante das situações mencionadas envolve relações negociais e obrigações de natureza patrimonial que já vêm sendo discutidas nas vias judiciais próprias.

Ao contrário da ideia de que Roger teria deliberadamente se apropriado de valores e posteriormente se esquivado de suas responsabilidades, a defesa esclarece que ele vem tratando individualmente as situações que lhe são apresentadas. Quando procurado, tem prestado esclarecimentos, participado de tratativas para solução das pendências e constituído advogado para representá-lo nas demandas judiciais existentes.

Roger não se ocultou nem abandonou deliberadamente as questões que lhe foram apresentadas. Pelo contrário, vem comparecendo por intermédio de sua defesa aos processos instaurados e buscando soluções para as controvérsias existentes. Na compreensão da defesa, essa postura é incompatível com a narrativa de uma intenção previamente estabelecida de fraudar terceiros ou simplesmente obter vantagem e desaparecer sem assumir qualquer responsabilidade.

Quanto a alegação de que Roger teria causado prejuízo em vítimas após receber valor referente à entrada de compra de imóveis, tal informação não consta sequer na Decisão que decretou sua prisão.

A defesa ainda não teve acesso integral aos autos, e o Roger nunca foi intimado para prestar esclarecimentos.

A defesa ressalta, ainda, que eventuais inadimplementos ou divergências decorrentes de relações contratuais devem ser analisados individualmente, considerando as circunstâncias específicas de cada caso, não sendo possível transformar automaticamente uma controvérsia patrimonial em ilícito criminal sem a demonstração dos elementos exigidos pela legislação penal.

Quanto à prisão, a defesa está analisando seus fundamentos e adotando as medidas processuais cabíveis. Existem aspectos relacionados à medida cautelar que serão questionados perante o Poder Judiciário, ambiente adequado para a discussão técnica acerca de sua legalidade e necessidade.

Roger permanece, por intermédio de sua defesa, à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários e confia que, com o avanço das investigações e a análise integral das provas, os fatos serão devidamente esclarecidos“.

Fonte: G1

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