Decisão da sigla, prevista para terça-feira (4), tende a consolidar postura de neutralidade na disputa presidencial, ampliando o isolamento político da candidatura do senador do PL.
BRASÍLIA – O Republicanos marcou para a próxima terça-feira (4) sua convenção nacional e deve optar por não integrar a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo integrantes da cúpula da legenda. A tendência é que o partido adote uma posição de neutralidade na corrida ao Palácio do Planalto, liberando seus diretórios estaduais para apoiarem os candidatos mais alinhados às realidades políticas locais.
A definição ocorre após uma consulta conduzida pelo presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), junto às lideranças estaduais. De acordo com parlamentares e dirigentes da sigla, a maioria dos estados defendeu a independência na eleição presidencial. A principal exceção é São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apoia uma coligação nacional com o PL.
A movimentação do Republicanos acontece um dia depois de o PP confirmar que também não apoiará a candidatura de Flávio Bolsonaro. A legenda decidiu liberar seus diretórios estaduais para definir os palanques regionais, estratégia semelhante à que deve ser adotada pelo Republicanos.
Isolamento político
Caso a decisão seja confirmada na convenção, Flávio Bolsonaro permanecerá tendo apenas o PL como aliado formal na disputa presidencial. O cenário reduz significativamente o tempo de propaganda eleitoral da candidatura em comparação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pelas regras de distribuição do horário eleitoral, Flávio terá 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos, enquanto Lula contará com 5 minutos e 32 segundos. Também terão espaço na propaganda os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), com 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury (Avante), com 36 segundos.
Vice e negociações
Nos últimos meses, o PL buscou atrair o Republicanos oferecendo espaço de destaque na chapa presidencial. Entre as possibilidades discutidas esteve a indicação da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e recém-filiada ao Republicanos, para a vaga de vice.
A proposta, porém, não encontrou respaldo entre dirigentes da legenda, que avaliam que Daniella ainda não representa politicamente o partido. Outra articulação envolvendo uma eventual indicação de Marcos Pereira para uma futura vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) também foi descartada publicamente pelo presidente da sigla.
Divergências internas
Apesar da tendência nacional pela neutralidade, alguns diretórios estaduais defendem posições diferentes. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, lideranças locais apoiam a aliança com Flávio Bolsonaro em razão da composição regional entre Republicanos, PL e PP.
Em outros estados, como Pernambuco, Paraíba e Maranhão, dirigentes afirmam que alianças locais com partidos ligados ao governo federal ou disputas regionais com o PL tornam inviável um apoio formal à candidatura do senador.
Estratégia eleitoral
Integrantes do Republicanos avaliam que manter independência em um cenário de forte polarização entre PT e PL é a estratégia mais eficaz para preservar alianças regionais e fortalecer a eleição de deputados federais em outubro.
Antes da convenção nacional, Marcos Pereira deverá se reunir neste sábado (1º) com o governador Tarcísio de Freitas para discutir o cenário político e a possibilidade de uma composição nacional, embora interlocutores da legenda considerem remota uma mudança na tendência pela neutralidade.






