WASHINGTON – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira, durante audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros seria prejudicial para o Brasil e poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro, Flávio participou da audiência pública realizada no contexto da investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da legislação americana. O processo analisa temas como sistemas de pagamento, desmatamento ilegal, atuação de grandes empresas de tecnologia e corrupção, e resultou na recomendação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Durante seu discurso, o senador afirmou que uma nova rodada de tarifas seria contraproducente e acabaria beneficiando o atual governo brasileiro.
“Impor uma tarifa agora acabaria recompensando justamente os responsáveis pelas ações em questão. Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir”, declarou.
Flávio também fez um apelo direto às autoridades americanas para que a medida seja cancelada.
“Peço respeitosamente a este país: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso desta relação, cancelem essa medida e deixem que negociemos.”
Defesa do Pix
Outro tema abordado pelo senador foi o Pix, citado na investigação do USTR. Flávio afirmou que o sistema, criado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, representa um avanço tecnológico e não deveria ser tratado como um problema comercial.
Segundo ele, o Pix beneficia milhões de brasileiros e poderia, inclusive, ampliar oportunidades para empresas americanas interessadas no mercado financeiro brasileiro.
Críticas à forma de pressão dos EUA
Ao responder questionamentos dos representantes do USTR, Flávio afirmou que, caso o objetivo dos Estados Unidos seja pressionar autoridades brasileiras, existem mecanismos mais específicos do que tarifas comerciais.
Sem citar nomes, ele afirmou que medidas direcionadas contra indivíduos seriam mais adequadas do que uma taxação ampla que afetaria toda a economia brasileira.
O senador também declarou esperar uma mudança no comando do país após as eleições presidenciais do próximo ano.
Corrupção e relações internacionais
Durante sua apresentação, Flávio mencionou casos de corrupção como o Mensalão, a Operação Lava Jato, fraudes no INSS e o caso envolvendo o Banco Master, afirmando que os episódios ocorreram durante governos do PT.
O parlamentar também argumentou que um eventual aumento das barreiras comerciais poderia aproximar o Brasil da China, reduzindo a influência econômica dos Estados Unidos sobre o país.
Histórico de viagens aos Estados Unidos
Esta foi a quinta viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos desde o início do ano. Entre os compromissos anteriores estão participação na Conservative Political Action Conference (CPAC) e reuniões com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio>.
Após esses encontros, os Estados Unidos concluíram a investigação comercial sobre o Brasil e passaram a considerar a adoção da tarifa de 25%, movimento que levou integrantes do governo Lula a relacionarem o endurecimento das medidas às articulações políticas realizadas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em Washington.
Segundo aliados, esta deverá ser a última viagem internacional de Flávio Bolsonaro antes do fim do ano. A estratégia do senador agora é concentrar sua agenda em compromissos políticos e viagens pelo Brasil, visando a pré-campanha presidencial.






