Emrelis utiliza tecnologia que direciona a quimioterapia às células tumorais e é indicado para pacientes com um perfil molecular específico; previsão é que o medicamento chegue ao mercado brasileiro em 2027.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Emrelis (telisotuzumabe vedotina), um medicamento desenvolvido para o tratamento de pacientes com câncer de pulmão avançado. Com a decisão, o Brasil se tornou, segundo as informações divulgadas, o segundo país do mundo a autorizar a terapia, que representa uma nova alternativa para pessoas que já passaram por tratamentos anteriores.
O medicamento é indicado para casos de câncer de pulmão de não pequenas células, do tipo não escamoso, quando há alta expressão da proteína c-Met nas células tumorais. A indicação contempla pacientes com doença localmente avançada ou metastática, ou seja, que pode ter se espalhado para outras partes do organismo.
A aprovação ocorre após a autorização acelerada nos Estados Unidos e amplia as opções de tratamento para um grupo específico de pacientes que apresenta características moleculares identificadas por exames.
Como funciona o medicamento?
O Emrelis pertence à classe dos anticorpos conjugados a medicamentos, conhecidos pela sigla ADC. A tecnologia funciona de maneira semelhante a um “cavalo de Troia”: um anticorpo reconhece e se liga à proteína c-Met presente na superfície das células cancerígenas, permitindo a entrega de uma substância quimioterápica diretamente ao tumor.
A estratégia busca concentrar a ação do medicamento nas células que apresentam o alvo molecular, embora não elimine o risco de efeitos adversos em tecidos saudáveis.
Segundo o oncologista William William, líder nacional de oncologia torácica do Grupo Oncoclínicas, a identificação de biomarcadores permite desenvolver tratamentos direcionados a grupos específicos de pacientes e ampliar as alternativas terapêuticas disponíveis.
Estudo aponta resposta em 34,6% dos pacientes
Os resultados do estudo clínico de fase 2 LUMINOSITY indicaram uma taxa de resposta objetiva de 34,6% entre os pacientes com alta expressão da proteína c-Met. Isso significa que houve redução mensurável do tumor em parte dos participantes tratados.
A sobrevida global mediana observada foi de 14,6 meses. Esse indicador representa o período em que metade dos participantes estava viva, considerando as condições do estudo, e não constitui uma previsão individual para todos os pacientes.
A seleção dos pacientes é fundamental para o tratamento. De acordo com os dados apresentados, aproximadamente 25% das pessoas com câncer de pulmão de não pequenas células do tipo não escamoso, sem mutação conhecida no gene EGFR, podem apresentar níveis elevados da proteína c-Met.
Quais são os possíveis efeitos colaterais?
Apesar da ação direcionada, o medicamento pode provocar reações adversas. Entre os efeitos relatados estão:
- Fadiga;
- Neuropatia periférica, que pode causar formigamento ou dormência nas mãos e nos pés;
- Perda de apetite;
- Inchaço nas pernas.
A indicação e o acompanhamento devem ser realizados por uma equipe médica especializada, com avaliação dos benefícios e dos riscos para cada paciente.
Câncer de pulmão ainda é um desafio no Brasil
O diagnóstico tardio continua sendo um dos principais obstáculos para o tratamento do câncer de pulmão. Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) citadas nas informações divulgadas, o Brasil deverá registrar 35.380 novos casos por ano no período de 2026 a 2028.
Cerca de 75% dos pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado ou apresenta metástases, situação que pode limitar as possibilidades de tratamento cirúrgico.
Para Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil, a aprovação representa uma nova opção para pacientes com câncer de pulmão avançado ou metastático que apresentam características moleculares específicas e já receberam tratamento sistêmico.
Quando o medicamento estará disponível no Brasil?
Com o registro concedido pela Anvisa, a fabricante AbbVie iniciou o processo de definição do preço máximo de comercialização junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A previsão da empresa é que o Emrelis esteja disponível no mercado brasileiro a partir do primeiro semestre de 2027.
Até o momento, não há previsão informada para a incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A aprovação regulatória permite a comercialização conforme as condições autorizadas, mas não significa que o medicamento já esteja disponível nas farmácias e nos hospitais, nem que seu fornecimento pelo SUS esteja garantido.






